Como Florianópolis conteve a pandemia em 5 ações

imagem ilustrando lavagem das mãos

Entenda como a capital catarinense se antecipou e conseguiu conter o número de fatalidades com ações coordenadas nos primeiros meses da pandemia.

imagem de um médico mostrando o número 5 com as mãos

Os primeiros alertas sobre a chegada do novo coronavírus ao Brasil trouxeram grande preocupação para os moradores de Florianópolis, uma vez que a capital de Santa Catarina é um importante pólo turístico com cerca de meio milhão de habitantes e recebe visitantes por terra, mar e pelo aeroporto internacional recém-inaugurado.


Floripa foi uma das primeiras capitais a determinarem quarentena, em 17 de março. Antes das principais cidades do país, a capital determinou restrições duras à atividade econômica e à circulação de pessoas. Hoje, passados quase 3 meses, a cidade contabiliza 925 casos confirmados e 8 mortes por COVID-19. Durante o auge da pandemia em outros estados, Florianópolis chegou a ficar 32 dias sem registrar nenhum óbito. 


Os números controlados são explicados pelas medidas tomadas pela administração pública ao longo desse período, que seguiram orientações científicas e permitiram mapear e isolar os focos da doença. A ampla divulgação dos dados e das orientações, de forma clara e sistemática também tiveram papel fundamental, conforme veremos a seguir:

Ações de contenção da COVID-19 em Florianópolis

1- Isolamento social

A quarentena em Florianópolis começou em 17 de março e as medidas foram rígidas - fechamento de escolas, comércio e todas as atividades não essenciais. No período de maior rigidez, até mesmo a permanência em espaços públicos chegou a ser proibida.

 

Posteriormente, um relaxamento gradual permitiu a prática de esportes individuais ao ar livre, e em seguida houve a reabertura gradual do comércio e outras atividades, com regulamentação sobre práticas de higiene e contra aglomerações.

2- Restrições e controle nos transportes e acessos

Ao contrário de grande parte das capitais brasileiras, a Prefeitura de Florianópolis fechou o transporte público por 90 dias. Uma medida dura, mas que certamente salvou muitas vidas, principalmente entre a população mais carente.


Além disso, Florianópolis restringiu o acesso rodoviário à ilha proibindo ônibus de turismo, intermunicipais ou fretados durante o período mais rígido. Hotéis e pousadas foram fechados. Durante o feriado antecipado de 6 dias em São Paulo até mesmo o acesso de carros de passeio vindos da capital paulista foi controlado, com medição de temperatura e registro dos visitantes e local de hospedagem na cidade. 


O controle no aeroporto também foi reforçado, e Floripa foi a primeira cidade a realizar testes rápidos para detecção da COVID-19 no aeroporto . A redução na malha aérea nacional também reduziu bastante o número de voos chegando à ilha diariamente.

3- Testagem em massa

A testagem em grande número foi outro trunfo da estratégia da Prefeitura para o combate à disseminação do vírus. Após a compra de 25 mil testes rápidos, Florianópolis passou a testar pessoas com suspeitas de contaminação pelo novo coronavírus no sistema drive-thru e a rápida identificação de casos permitiu a identificação e isolamento de pessoas com sintomas e seu círculo próximo de contatos.


Mais uma vez, vale destacar que a estratégia de testar o maior número possível de pessoas, dentro das limitações logísticas e orçamentárias disponíveis, foi embasada em recomendações de médicos, infectologistas e especialistas em saúde pública.


Com uma testagem proporcionalmente maior do que a média, Floripa observou uma disparada no número de casos confirmados, mas a baixa letalidade mostra que a estratégia de investir na testagem para mapear o contágio da doença é acertada. Melhor seria se o restante do país também pudesse realizar uma proporção maior de testes, assim como é feito nos Estados Unidos e outros países desenvolvidos.

4- Informação e Tecnologia

A conscientização da população foi uma das prioridades. A Prefeitura disponibilizou logo no início da quarentena um canal de orientação para o atendimento de saúde ao público em geral , evitando assim a visita desnecessária de pacientes aos postos de saúde e hospitais. As secretarias de saúde do estado e do município também têm divulgado diariamente os dados sobre o avanço da doença, de forma sistemática e com ampla divulgação.

Imagem com os bairros de Florianópolis e números de casos confirmado de coronavirus

O monitoramento dos focos identificados permitiu alertar à população sobre a quantidade de casos confirmados em cada bairro. Ferramentas digitais como o covidometrofloripa.com.br auxiliam na divulgação das regras e restrições para cada nicho de atividade e trazem clareza para a população durante a retomada gradual das atividades.

print de tela do covidômetro

5- Máscaras e outras regulamentações

Após o fechamento total na segunda metade de março e início de abril, Florianópolis começou a relaxar as medidas de contenção, com cautela. Máscaras de tecido passaram a ser obrigatórias em todos os estabelecimentos. Novamente houve ampla divulgação e rapidamente as máscaras foram adotadas pela maior parte da população.


Além disso, também se tornaram exigências comuns a presença de álcool gel e material informativo na entrada e restrições ao número de pessoas admitidas em espaços fechados, limitação de horários e formas de funcionamento. Para academias e supermercados grandes, a medição da temperatura dos clientes, restrição no uso de celulares e outras medidas ações adicionais também foram regulamentadas.


Em bairros mais afetados como os Ingleses, o uso da máscara passou a ser obrigatório também nas vias públicas a partir do final de maio.

Imagem da máscara de proteção do covid

32 dias sem nenhuma fatalidade

Entre os dias 5 de maio e 6 de junho Florianópolis não contabilizou nenhuma morte por COVID-19. Com um total de 8 fatalidades pela doença, a capital já começa a reabrir as atividades não essenciais como academias e shoppings.


As medidas acima, fundamentadas em orientações técnicas e dados científicos foram tomadas antes de outras capitais do país e muitas vezes de forma mais rígida, como o fechamento do transporte público. Hoje, podemos considerar que Floripa vem conseguindo conter o contágio do novo coronavírus com uma das menores taxas de letalidade do país, apesar de algumas perdas. 


Em resumo, são 5 as frentes de ações que fizeram Florianópolis conter a disseminação do novo coronavírus:


 

  • Isolamento social
  • Transporte público fechado
  • Testagem em massa
  • Informação e tecnologia
  • Máscara e outras restrições   

 


A população também tem seu mérito, pois a maior parte das famílias adotou medidas de distanciamento social e adota o uso das máscaras e outras restrições. 


Ainda assim, o monitoramento e as medidas restritivas vigentes continuam sendo fundamentais. Estamos atualmente sob situação de risco moderado e as regras podem voltar a serem endurecidas caso os números indiquem uma tendência de crescimento, segundo declarações do próprio prefeito Gean Loureiro. Enquanto isso, vamos continuar lutando contra o coronavírus, juntos porém separados. Se puder, fique em casa!

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